Machado de Assis tem um jeito de sempre surpreender. Não importa quantos contos ou romances você leia, ou se é uma releitura, há sempre algo novo nas entrelinhas de suas obras. Quincas Borbas, que eu li este mês pela primeira vez para o Desafio Literário 2012, se mostrou um livro delicioso de ser lido. Adoro as ironias do narrador e anaturalidade com que ele conversa com a leitora (como ele mesmo diz).

O livro conta a história de Rubião, amigo do filósofo que dá nome ao livro e que, ao morrer, deixa sua herança para o protagonista. Então Rubião se vê transformado de um simples professor mineiro em um capitalista morando na capital do Império, junto com seu cachorro Quincas Borbas, nomeado em homenagem ao falecido.O filósofo Quincas Borbas é o mesmo que aparece no livro Memórias Póstumas de Brás Cubas, como lembra o próprio narrador:

Este Quincas Borba, se acaso me fizeste o favor de ler Memórias Póstumas de Brás Cubas, é aquele mesmo náufrago da existência, que ali aparece, mendigo, herdeiro inopinado e inventor de uma filosofia. Aqui o tens agora, em Barbacena.

Uma das passagens mais famosas e interessantes do livro  é a analogia utilizada pelo filósofo para explicar sua ideologia de Humanitas para Rubião, pouco antes de morrer.

“Supões-se em um capo de duas tribos famintas. As batatas apenas chegavam para alimentar uma das tribos, que assim adquire forças para transpor a montanha e ir à outra vertente, onde há batatas em abundância; mas se as duas tribos dividirem em paz as batatas do campo, não chegam a nutrir-se suficientemente e morrerão de inanição. A paz, neste caso, é a destruição; a guerra, é a esperança. Uma das tribos extermina a outra e recolhe os despojos. Daí, a alegria da vitória, os hinos, as aclamações. Se a guerra não fosse isso, tais demonstrações não chegariam a dar-se. Ao vencido, o ódio ou compaixão…..Ao vencedor, as batatas!”

Passamos então a acompanhar as mudanças na vida de Rubião e sua paixão platônica por Sofia, esposa de seu amigo Palha, que, aos poucos, o leva à loucura, abandonado e sem dinheiro.De vida e maneiras simples, Rubião se vê cercado de pessoas interessadas em seu dinheiro e por ser muito ingênuo acaba se deixando leva rpor sonhos de grandeza. Sofia, que finge corresponder ao seu amor por ordem de seu marido, vira um objeto de adoração tão forte de Rubião que passa aos poucos a ser ua obsessão do ex-professor, crente de todas as maneiras que seu amor é correspondido pela dama. Toda a narração da história é envolvente, apesar de eu não ter me sentido ligado a nenhum personagem em especial. O autor brinca com as ações e emoções dos personagens durante toda a história, utilizando sua famosa ironia e empregando diversas passagens bíblicas e citações de Shakespeare para provar suas teorias acerca dos personagens.

O fim de Rubião é triste. Louco, ridicularizado por amigos, têm seus últimos momentos junto com seu cachorro, crendo que é Napoleão III. Sua vida acaba resumindo a teoria do filósofo de que o vencedor leva as batatas.

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Sobre yolanda

Jornalista, estudante de Ciências Sociais, viciada em tecnologia e novas mídias.

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  1. Gabriela disse:

    pô, não é que o Quincas Borbas é do Machadão mesmo? vou ter que refazer meus três anos de Letras

  2. yolanda disse:

    hauhau que feio, ein? É do Machadão sim, e ainda faz uma ponta no Memórias Póstumas de Brás Cubas. Mas de todos os que eu li, achei o mais fraquinho (mais ainda é bom).

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