Fiquei um bom tempo sem escrever no blog (não estou contando os últimos dois post, que foram pequenos), mas não foi por preguiça: tive um começo de ano bem agitado e contar tudo o que aconteceu, viagens, estágios, faculdade, casa nova, me tomaria o tempo de escrever este post. Então por enquanto decidi retardadar a narração das minhas peripécias e começar a escrever as resenhas para o Desafio Literário de 2012 que prometi no primeiro post deste humilde blog (mas tenham paciência que tenho boas histórias para contar sobre vendedores de patos, comunicação móvel, minas d’água e chaveiros fanáticos por futebol).

O tema de janeiro do Desafio é Literatura Gastronômica e eu decidi ler Como Água Para Chocolate, da Laura Esquivel (e quero ainda ler Tomates Verdes Fritos, só que não acho em lugar nenhum). A autora nasceu na cidade do México em 1950 e depois de escrever diversas peças de teatro e participar das gravações de um filme acabou escrevendo este livro, seu primeiro, em 1989, que acabou sendo transformado em filme em 1992. E eu dei sorte, porque nunca assisti ao filme (apesar de ser um clássico) e adoro ler o livro antes para depois poder comparar.

Como Água Para Chocolate se passa na época da Revolução Mexicana e conta a história da família De La, composta totalmente por mulheres e que sobrevive cuidando de uma fazenda sob as ordens de Mama Elena, a matriarca da casa. A protagonista principal, Tita, filha mais nova, tem como destino na vida cuidar da mãe até que está morra, o que impede o casamento dela com Pedro, seu grande amor. Este, para poder continuar perto de Tita acaba casando com a mais velha das irmãs, Rosaura, e construindo uma história de amor impossível que dura praticamente toda a vida das personagens.

Mas não é essa a história a parte mais fantástica da narração. Tita, por problemas ao nascer, foi criada na cozinha por Nacha, a cozinheira da família, e lá aprendeu não apenas as receitas mais saborosas que podia como foi de lá que tirou toda sua experiência de vida. Ou seja, tudo o que acontece em sua vida são narradas através das receitas e todas as suas sensações são misturadas naquilo que cozinha, influenciando as pessoas que comem o prato depois.

Além disso, cada capítulo começa com uma receita e é isso que dá todo um toque especial na história. A receita aos poucos vai se transformando em narrativa, quase sem você perceber, e passa a contar a história de Tita. Minha receita favorita foi a de codornas com pétalas de rosas, que foi feita enquanto Tita sentia uma paixão tão forte por Pedro que quando sua irmã, Gertrudes, provou do prato sentiu um fogo tão grande no corpo que só conseguiu apagá-lo ao juntar-se com um general das forças rebeldes, em um campo da fazenda que ficou cheirando a pétalas de rosas por muitos anos. É um momento tocante do livro porque é isso que as receitas de Tita fazem: espalham suas sensações entre as pessoas.

O que é outro ponto interessante no livro: as sensações. As histórias contadas de um ponto de vista culinário, as metáforas com comidas. É um belíssimo livro, com uma belíssima narração. E também uma belíssima história de amor, mas acima de tudo é uma maravilhosa história de vida.

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Sobre yolanda

Jornalista, estudante de Ciências Sociais, viciada em tecnologia e novas mídias.

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